DOENÇAS E TRATAMENTOS

Cisto Pilonidal

Cisto pilonidal é uma lesão que se desenvolve na região terminal da coluna vertebral (região sacrococcigiana), bem no início do sulco que separa as duas nádegas, alguns centímetros acima do ânus.

Embora esse seja o local mais frequente, o cisto pilonidal pode surgir também nas axilas, couro cabeludo e umbigo.

Ele é formado por uma bolsa que gera acúmulo de secreção produzido por glândulas. Esse conteúdo pode evoluir com processo inflamatório e sinais de infecção com acúmulo de pus, dando origem a um abscesso (abscesso pilonidal). 

A teoria mais aceita como causa é uma lesão provocada por pelos soltos que, por atrito, pressão ou calor, atravessam a pele e se alojam na camada subcutânea. A presença desse corpo estranho, sem nenhuma ligação com os folículos pilosos (estruturas onde nascem os pelos), gera uma reação inflamatória que promove a formação de cistos.

Permanecer muito tempo sentado, por exigência profissional ou durante a prática de esportes (ciclismo e equitação, por exemplo) também contribui para a formação de cistos na região sacrococcígea. Essa agravante chamou atenção depois que o número de casos da doença pilonidal cresceu muito entre os soldados americanos que lutavam na Segunda Guerra Mundial e viajavam horas e horas sentados nos bancos de jipes que trepidavam muito por causa dos terrenos irregulares.

Cistos pequenos sem vestígio de infecção geralmente são assintomáticos, embora apresentem um pequeno orifício, por onde é eliminado um líquido turvo de odor desagradável. Os sintomas realmente aparecem na fase aguda, quando se forma um nódulo na parte superior do sulco entre as nádegas com sinais típicos de processo inflamatório e infeccioso: dor; vermelhidão e calor; edema e saída de secreção purulenta por um orifício que se abre na pele.

À medida que a infecção progride, novos orifícios podem surgir dando origem a fístulas que ajudam a drenar o pus. 

O tratamento do cisto pilonidal varia de acordo com a fase da doença. Paciente com cisto sem nenhum sintoma nem sinal de infecção deve permanecer em observação para avaliar a evolução do quadro.

Quando já houve a formação de abscesso, o procedimento indicado é fazer a drenagem da secreção purulenta através de uma pequena incisão na pele. A intervenção é realizada sob anestesia local, sem necessidade de internação hospitalar. Para alguns pacientes, essa técnica pode representar um caminho para a cura. Infelizmente, nos outros, a doença é recorrente.

Como os antibióticos não produzem o efeito desejado nessa fase, a indicação é cirúrgica. A técnica mais utilizada é a ressecção em cunha do cisto, deixando a ferida aberta, sem pontos, para que a cicatrização ocorra naturalmente, de dentro para fora. Esse método conhecido como “cicatrização por segunda intenção” é o mais recomendado para o tratamento de feridas infectadas. Embora o período de recuperação seja mais longo, o risco de recidivas é muito baixo. Também é possível fechar a ferida com pontos, o que encurta o período de recuperação, mas aumenta o risco de novas crises.

No pós-operatório, é preciso redobrar os cuidados com a ferida. O curativo deve ser trocado todos os dias, o local lavado com soro fisiológico e coberto com gaze.

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